Celebritarianism

Artigos traduzidos do site Nachtkabarett

“Mostre-me todas as estrelas mortas, que todos eles cantam”
Marilyn Manson, Posthuman.

www.celebritarian.com
Clique no link acima para ver o site CELEBRITARIAN.COM original. A música tocada na vinheta de abertura chama-se “I’m Leaving It Up To You” de Dale & Grace. Originalmente escrita em 1957, esta versão foi uma das músicas número um nos Estados Unidos em 22 de novembro de 1963, o dia que Kennedy foi assassinado.

Celebritarian.com foi o primeiro passo e exibição pública do conceito de ‘Celebritarianism’ de Manson. Ele foi duvidosamente visto como um site oculto de Manson, mas houve uma série de paralelos que o referenciava como sendo oficial. Por exemplo, a pistola usada no vídeo de abertura do site é identica a uma das pistolas usadas na ‘Arma Crucifixo’ na capa do livro Holy Wood; existe um número de referências temáticas no questionário do site, incluindo referências a Kennedy; e embora posto ao ar próximo ao lançamento do álbum Holy Wood, os registros mostram que o site é de 1996, mesmo ano de lançamento do álbum Antichrist Svperstar, ano um do ‘Triptych’ de Antichrist Svperstar, Mechanical Animals e Holy Wood (In The Shadow Of The Valley Of Death). Porém a primeira e enfática pista que prova o laço de Manson com o site Celebritarian.com, foi revelado durante seu retorno altamente controverso a Denver em 2001, sua primeira apresentação no Colorado desde Columbine. Inspirado por inúmeras mortes e ameaças de bomba, Manson prometeu que este seria seu show mais violento e equilibrado, com leituras selecionadas da Bíblia com citações sobre assassinato, morte, sexto e pestilência. Foi durante sua leitura da Bíblia que Manson citou o Salmo 137:9, que é a mensagem recebida após responder o questionário do site Celebritarian.com.

James Dean

Lee Harvey Oswald

Papa João Paulo II

Aleister Crowley

O site foi sugerido na letra da música ‘The Fall Of Adam’, onde o termo ‘Celebritarian’ foi mencionado por Manson. E o que nos trouxe uma atenção especial, foi o símbolo ‘™’ presente na palavra ‘Celebritarian’. Mais tarde foi revelado que Manson inventou e patenteou ambos dos termo ‘Celebritarian’ e ‘Celebritarianism’.

Princesa Diana

V. L. Lenin

Elvis Presley

Mahatma Gandhi

Este conceito ecoou na apresentação durante o ano anterior, no primeiro semestre da turnê Guns, God & Government, onde Manson cantou a música ‘Valentine’s Day’ ajoelhado em um altar que apoiava esculturas de sua cabeça careca em cada extremidade, enquanto em ambos dos lados do palco haviam fotos semelhantes as muitas das mesmas celebridades que se tornaram mais reverenciados na morte que na vida. É quando a morte de um pode fazer as manchetes dos jornais, mas na vida é esquecida, utilizadas e descartadas.

Adolf Hitler

Frank Sinatra

Jackie Kennedy

John Lennon

Dentro do filme de abertura do site são mostrado os rostos das ‘estrelas mortas’, que também foram vistas em um telão presente por detrás de Manson durante a apresentação ao vivo da música ‘Death Song’, parte da turnê Guns, God and Government no Ozzfest.

‘Celebritarianism’ e muitos dos elementos conceituais dentro de Holy Wood foram indiretamente mencionados, em especial, na música ‘Posthuman’ do álbum antecessor Mechanica Animals. A música retratou visuais líricos da composição da realidade satirizada por Manson, onde a violência é a religião da massa e os santos padroeiros são ‘estrelas mortas’. Onde morrer em frentes as câmeras faz de alguém uma estrela. Esta é a idéia e realidade, na morte somos muito mais profundamente lembrandos do que em vida. E se famosos são mortos no centro das atenções, funciona como a imortalização de Cristo, assim como no caso de JFK e John Lennon. Este é o significado por trás do Celebritarian / Celebritarianism, que a nossa religião baseia-se na morte; ecoado pelos preceitos e rituais do cristianismo (uma das principais acusações de Manson como o provedor desta fascinação mórbida), onde bebemos o sangue na forma de vinho e cujo corpo nós alimentamos na forma de uma hóstia, o devorador de celebridade como definido pelo precedente da primeira celebridade, Jesus Cristo.

As palavras em si, Celebritarian e Celebritarianism, na base, podem exatamente serem definidas pelo jogo literal das palavras, assim como o vegetariano, a admitação e subseqüente devoração de celebridades, se qualquer coisa tem exponencialmente aumentado nos últimos anos foram através da TV por satélite, Internet e no ‘CELEBREALITY’, fenomeno da VH1.

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
João 1:29

A primeira imagem adicionada no site conjunto TheLambOfGod.com do MarilynManson.com, colocado ao ar no verão de 2000 antes do lançamento do álbum Holy Wood. É uma representação de Cristo como o Cordeiro de Deus, pintado por Jan Van Eyck em 1432, fixado em cima de um altar, a imagem trás um cordeiro com o peito sangrando em um cálice a ser consumido pelo seus discípulos durante a Comunhão. Na base, o site foi lançado como um portal esotérico, revelando em imagens obscuras os vários pilares que Holy Wood encarnava. O ponto crucial centralizou duplamente o renascimento / tranformação, juntamente com a morte e o martírio.

O Novo Testamento refere-se a Cristo como o Cordeiro de Deus, a oferta de sacrifício que Deus enviou à Terra para tirar os pecados do mundo. Isso ilustra o tema mais importante dentro de Holy Wood, o de celebridade e martírio, e mais especificamente fama através da morte e martírio, como representado através de Cristo, JFK, John Lennon e muitos outros. Sendo este o tema que gira em torno de Holy Wood, ilustrando o fascínio morbido inerentemente sentido a partir do nosso estado primordial para a humanidade de hoje. Daí o cordeiro sangrando dentro do Graal. Para reiterar, o sangue de Cristo cujo o corpo é então consumido como uma hóstia; o devorador de celebridade e no contexto da religião demonstrado pela primeira celebridade, Jesus Cristo.

Esta imagem em particular, é uma peça central da pintura ‘Adoration Of The Lamb’, do pintor Norte Renascentista do século XV Jan Van Eyck, na parte inferior central do quadro está a parte maior do políptico, o Altar de Ghent. Na inscrição no altar lê-se, ECCE AGNUS DEI, QUI TOLLIT PEC(CA)TA MV(N)DI, ou a tradução do latim do versículo João 1:29 citado acima.

Cena do vídeo clipe ‘Coma White’ retratando um Manson crucificado e deificado no papel de JFK; imagens usadas para ilustrar a forma em que Kennedy se tornou um “segundo Cristo” aos olhos da America, quando seu assassinato foi televisionado, tornando-o em um mártir para a consciência popular.

Edge Metal: Como você vê Kennedy como uma figura de Cristo?

Marilyn Manson: Antes de tudo, esta é minha teoria que eu venho pensando desde que eu tive muita interação com o cristianismo depois de fazer o ‘Antichrist Svperstar’, é que Cristo foi um ‘papel carbono’ para a celebridade. Ele foi a primeira celebridade ou rockstar, se você quiser ver dessa forma, ele se tornou essa imagem de sexualidade e sofrimento. Ele é literalmente comercializado – um crucifixo não é tão diferente quanto uma camiseta de shows em alguns aspectos. Acho que para a América e na minha vida, John F. Kennedy meio que tomou este lugar em alguns desses aspectos. Ele foi levantado como esse ícone e essa figura de Cristo. Eu comecei, em minha versão drogada de Hollywood, sonhar com um mundo onde as ‘estrelas mortas’ são realmente santos. Jack O[nassis] é um tipo de Maria Imaculada. É isso que estava pensando quando escrevi o álbum, e eu insinuei isso em muitas músicas como “Posthuman”.

A história era algo que eu tinha na minha cabeça, e é da onde as músicas vieram. Como as músicas vieram a vida, a história também cresceu mais ou menos assim. Tudo é uma metáfora da minha própria vida, mas a história, sem ir longe demais, toma lugar numa distopia alternada Hollywood, onde tudo é levado ao extremo. É quase o pior pesadelo de Andy Warhol, combinado com Cientologia e comunismo. Se você imaginar que tudo foi tão longe quanto alguém poderia chegar, o modo em que as estrelas de cinema são tratadas. Há muitas referências do modo que eu vejo John F. Kennedy, como um Cristo dos dias modernos e como a religião brotou disso. É uma história estranha, mas no final é uma parábola sobre fama, amor e o que mais importa para você, mas eu não posso dizer se tem um final feliz. O vídeo de “Coma White” é adaptado do meu script, então será um tipo de teaser, uma indução ao que as pessoas podem esperar… Embora eu tenha certeza de que eles não vão entender ou deixar algo mais claro.

Metal Edge, Julho De 1999
Marilyn Manson – Revelações De Um Alien-Messia

‘Self Portrait With Skull’ de Andy Warhol (contribuição de Gilles R. Maurice) de 1978 e o poster do Celebritarian Corporation. Uma alusão de Manson, que é ainda uma outra referência de Warhol utilizada na ressurreição do Celebritarianism em 2006.

Abaixo uma foto montagem em cascata do rosto de Manson repetida aos moldes de Warhol, assim como foi feito com outras celebridades como Marilyn Monroe. Esta montagem foi usada como uma mapa para o site MarilynManson.com no final de 2006 e também foi usada no lançamento de uma camisa um pouco antes.

Um alusão propósita feita por Manson, como um jogo literal sobre o aspecto ‘celebridade’ do Celebritarianism, sendo Andy Warhol defensor do conceito de iconografia e culto da celebridade.

Montagem em tela de seda de Marilyn Monroe feita por Andy Warhol em 1962, logo após seu suicído. Um dos hábitos de Andy, o conceito de dicotomia, era retratar temas mórbidos (tais como cadeiras elétricas, celebridades mortas e ditadores como o chines Chairman Mao), enquanto justapondo-os em cores vibrantes e cenários.

“Aplaudimos a criação de uma bomba cujo único objetivo é destruir toda a humanidade, e nós crescemos vendo os miolos dos nossos presidentes espalhados por todo o Texas. Os tempos não se tornaram mais violentos. Tornaram-se apenas mais televisionados. Alguém acredita que a Guerra Civil foi minimamente civil? Se a televisão existisse, você poderia ter certeza de que elas teria ido lá para cobrí a guerra, ou até mesmo participar dela, como sua violenta perseguição ao carro da Princesa Di. Abutres repugnantes à procura de cadáveis explodindos, fornicandos, filmandos e servindo-os para nossos apetites em uma exposição gulosa da estupidez humana.”

Columbine: De quem é a culpa? Marilyn Manson
Ensaio publicado na revista Rolling Stone, junho de 1999.

Princesa Diana e sua morte trágica em 31 de agosto de 1997. A querida filantropa e humanitária, cujo acidente fatal foi causado por um fotógrafo paparazzi em uma implacável perseguição em alta velocidade, na tentativa de captar novas fotos da princesa e seu novo amor para os tablóide.

Como seu corpo moribundo foi espalhado sobre os destroços em chamas, os fotógrafos materam-se firmes, não boquiabertos em horror, mas sim a tirar fotos sem fim do acidente, na esperança de marcar a maior recompensa pelas fotos exclusivas. Além disso, bloqueando assim os paramédicos salva-vidas de alcançá-la em tempo de salvar sua vida.

A tragédia foi alimentada, é claro, pela insaciável demanda esmagadora da opinião pública para o vislumbre voyeurista na vida de celebridades. Não havia outra forma dos fotógrafos presentes perseguirem Diana e causar sua morte, tendo o público ‘consumidor de celebridade’ não impulsionado pela demanda por serem tão obcecado pela fama e as imagens daqueles que são famosos.

“Moscas estão esperando…”
Cruci-fiction in Space e Valentine’s Day de Holy Wood

Ilustração metafórica do mantra repetido por todo álbum Holy Wood. As “moscas” aguardam a morte da celebridade a quem elas idolatram e então consume totalmente sua carcaça. Apenas para regurgitá-la novamente para um ícone de comercialização como a devoração e comercialização de sua imagem continua, de certa forma dando-as a vida eterna.

Assim como fizeram com Cristo na forma de crucifixo e as imagens de cada um dos santos mártires católicos, que eram todos vistos como um tipo de “celebridades” em seus períodos do tempo.

“Ronald Fischer, apicultor”, por Richard Avedon, 1981. Uma possível inspiração para o final do vídeo Disposable Teens, Avedon ficou famoso pelas suas fotografias de Marilyn Monroe.