Quando Marilyn Manson deixou suas crianças para trás

Publicado em 30 de agosto de 2009 • por

Marilyn Manson & the Spooky Kids

Marilyn Manson & the Spooky Kids

Em dezembro de 1989, minha banda, Marilyn Manson & The Spooky Kids, venceu uma premiação musical local por Lunchbox, um cassete de quatro músicas que nós vendíamos nos shows e em lojas do ramo ao redor do Sul da Flórida.

Curiosamente, o título da faixa não estava na fita. Mas Lunchbox, a música, fazia parte de nossa vida musical, e era a favorita dos fãs.

A letra reconta uma verdadeira história sobre um estudioso aluno que, em sua própria defesa, usa contra um outro aluno sua lancheira de metal, levando a escola a proibir todas as lancheiras de metal. Na reação da criança e na resposta da escola, nosso cantor, Marilyn Manson (nascido Brian Warner), viu um pouco de si mesmo: O excluído da sociedade, que, ainda, continua a ser perseguido pelas malditas autoridades.

O narrador de Lunchbox vê uma saída: “I wanna grow up /wanna be a big rock-n-roll star/big time rock-n-roll star/so no one [messes] with me.” – “Eu quero crescer/ quero ser uma grande estrela do rock/ grande estrela do rock atual/ então ninguém [irá mexer] comigo.”

Como o meu antigo parceiro de banda trouxe Marilyn Manson de volta para tocar na turnê local de Mayhem Festival (Brian é o único membro original na banda), é justo perguntar como tem funcionado para ele.

Até certo ponto a música é uma silenciosa resposta – do líder que foi deixado para trás, com seus pensamentos, em um banco de trás de um fabuloso ônibus de excursão – um ser em metamorfose mostrando o dedo do meio ao mundo. E o que eu acho que surpreendeu o Brian é como o mundo o arremessou de volta. Apartir de então, e mesmo apesar dele buscar a controvérsia como um aparente rock star dos dias atuais, as pessoas tem o perturbado – das maiores e piores maneiras que ele pôde imaginar. (E ele é uma pessoa muito imaginativa).

A rejeição veio cedo
Mas de volta a Lunchbox. Nós a colocamos em um lançamento posterior, After School Special, uma demo consolidada por um acordo com a Sony.

Nós tivemos uma audição particular com a música para a equipe da Sony A&R (artista e repertório). Richard Griffin, presidente da Sony de A&R, pessoalmente nos rejeitou dentro de minutos, dizendo que gostou da apresentação e da idéia, mas “não gostou do cantor”. (Eu era o guitarrista, Daisy Berkowitz.)

O rótulo veio com uma nova banda de Seattle chamada Pearl Jam. Então, a letra de Lunchbox se tornou irônica na época, nós acabamos tocando-a na audição.

O primeiro erro de Brian, para onde ele está agora, foi esquecer as raízes da banda. Claro, quando você é uma anomalia – digo, um goth/industrial em um terreno de golf e esportes a remo – você não pode confortavelmente dar crédito ao lugar de onde você veio. Não é como se a cidade financiasse um programa permitindo-nos embrulhar uma garota nua em um plástico com um crucifixo enquanto nós fazemos um estrondoso tribal-metal em um palco financiado pelo Banco Sun (você tem certeza que esse show é para todas as idades?)

Mas antes de mais nada, você absolutamente deve reconhecer e agradecer aos fãs que o fizeram ser quem é. Existe uma pesquisa no mundo dos Negócios que afirma que é mais difícil reconquistar um cliente do que manter um. E o mesmo se aplica à Música.

Mesmo se você, ironicamente, cantar sobre “The Beautiful People – [As Pessoas Bonitas]” e então ir para Hollywood – apenas a poucos metros de onde ocorreram os assassinatos envolvendo Charles Manson – ou se autoproclamar o anticristo do rock ‘n’ roll ainda que distanciando-se da violência nas escolas, alguma culpa irá cair sobre você, seus verdadeiros fãs irão te caluniar, pois eles não o entendem.

Saudação de Flórida.
Anos atrás, nós tínhamos fãs que tinham suas próprias máquinas de estampas e eles nos fizeram uma camiseta com uma estampa em preto-e-branco que dizia: “[VULGARMENTE] YOU WE’RE FROM FLORIDA – [VOCÊ NÓS SOMOS DA FLÓRIDA],” com o rosto de Charles Manson nela. No vídeo em que se encontra no popular site Youtube – a banda tocando um clássico da era Spooky Kids, Suicide Snowman – você pode ver vislumbres do tecladista Madonna Wayne Gacy (também conhecido como Pogo, e nascido como Stephen Bier) vestindo a camisa.

Foi em 1 de agosto de 1992, no The Five Plus Lounge em Davie o último show que fizemos antes de tirar o sufixo Spooky Kids (uma recomendação da gravadora). Uma vez que a banda conseguiu um contrato e começou a turnê, a quantidade de presentes de fãs que recebíamos cresceu e assim fez a estranheza geral em torno de nós.

Em uma noite fria em Buffalo, depois de um show maravilhoso, eu estava cansado e pronto para dormir. E havia um barulho de festa e um cheiro de maconha vindo de outros quartos, mas festas-pós-show são muito comuns em turnê. E eu fui informado mais cedo naquele dia, pelo meu agente, que havia duas adolescentes fugidas seguindo a banda pedindo informações ao segurança da turnê se eu as tinha visto. Eu tirei minha apertada calça de vinil azul-marinho, vesti uma camiseta e fui dormir.

Cerca de 20 minutos depois, eu já estava quase dormindo, houve uma batida na porta. BUMP! BUMP! BUMP! “Abra, Polícia de Buffalo!”

Fui tonto de sono até a porta. Irritado e com as pálpebras pesadas; abri um pouco a porta com uma repentina e rápida paranóia. Os policiais me olharam de cima a abaixo com um leve sorriso enojado (como se nunca tivessem visto um homem de cabelos verdes e sem sobrancelhas antes).

“Você viu essas garotas, elas estão em seu quarto?” “Não, me contaram sobre elas, mas eu não as vi.” “Elas estão no seu quarto neste exato momento, Senhor?” (como se eles sentissem que eu realmente merecia aquele respeitoso “senhor”). “Não, eu juro, pode entrar e dar uma olhada se quiser.”

Eu acendi a luz e abri totalmente a porta. Os policiais deram uma olhada e logo foram embora. Sentei-me na beirada da cama aliviado. Eu não tinha feito nada errado, mas foi a minha primeira batida policial como rock-star. Com a minha cabeça inclinada para baixo em um sentimento de agitação e exaustão, eu vi naquele momento, eu estava usando a camisa “…WE’RE FROM FLORIDA [Nós Somos da Flórida]”

Aniversários
Hoje faz 40 anos desde que o falido músico e infame líder religioso Charles Manson (falando sobre fãs loucos…), com antecedentes criminais, originalmente de Cincinnati, disse aos seus seguidores drogados para matar as pessoas bonitas nas colinas de Los Angeles. As inocentes vítimas desse episódio estavam marcadas para morrer porque representavam as mentiras e as superficialidades que presunçosamente é representada na cultura de Hollywood.

Mas os próprios assassinos foram as vítimas inocentes de um homem que os convenceu de que ele era completamente humano e Jesus Cristo, ao mesmo tempo. Charles Manson era mais maluco, um obsceno com um poder de influência do que uma simples mente maléfica por trás dos acontecimentos.

Vinte anos depois, Brian Warner, propriamente vindo de Ohio, se transformaria no personagem Marilyn Manson (independentemente do que Charles, ou seus seguidores não-encarcerados diriam sobre isso) e encontraria a si mesmo em uma limpa casa pintada de branca-e-bege em um condomínio fechado em Boca Raton planejando comigo o mais criativo e cultural estratagema de todos os tempos vindo da Flórida. Nós formaríamos uma bizarra e brilhante banda de rock chamada Marilyn Manson & The Spooky Kids.

Na verdade, eu pensei que nada viria desse trabalho, mas era tão esquisito, e com tanto conteúdo e tão fora do lugar que só tinha que dar certo. O carisma do rock-star Manson cresceu e em agosto de 1992 a parte The Spooky Kids do nome da banda saiu da história e levou consigo o humor, a insanidade e a graça pelo qual a banda foi, originalmente, conhecida.

As pessoas tem se esquecido, talvez por causa da hábil manipulação da propaganda, que Marilyn Manson ainda é um grupo assim como também um personagem. Apesar dele não dizer, Brian não pode fazer tudo sozinho. Nunca pôde. Isto talvez pode não parecer fazer sentido em um contexto onde a banda e o homem parecem ser o mesmo. Ele lhe dirá que é tudo a mesma coisa, ou não (ou as duas coisas) – o que for mais conveniente. O que fizer menos sentido, o que quer que seja, é como tudo veio ser em primeiro lugar. Mas isto é uma outra história.

Sobre o Autor:
Scott Putesky de Fort Lauderdale, que também é conhecido como Daisy Berkowitz, e foi um dos membros fundadores de Marilyn Manson. Ele esteve na banda entre 1990 a 1996.

Fonte

#você também pode gostar de:

  • José Leonardo

    Ótimo Mrs, parabéns :)