Artigo escrito por Nick Kushner em nachtkabarett.com
Tradução por José Leonardo
Kennedy & King Kill 33º

Referenciado primeiramente em 1998 em Mechanical Animals na canção “Posthuman”, JFK e o impacto após sua morte para a América tem sido um tema que Manson tem continuamente referenciado em seus trabalhos desde então. Mais notório destas referências podem ser percebido nas canções “President Dead”, “King Kill 33º”, assim como muitas alusões visíveis em todo o álbum Holy Wood e muito proeminentemente no vídeo de Coma White em que Marilyn Manson simula o assassinado de Kennedy. Para aqueles não familiarizados com Marilyn Manson, pode parecer algo cheio de sensacionalismo, mas, na realidade, esse tem sido um tema que tem desempenhado, até mesmo após muito tempo antes de ele usar Kennedy como um exemplo de “Celebritarianism”, que da humanidade inerente a violência e fascinação mórbida. Na América, a maioria das crianças (apesar de agora particularmente a geração mais velha) tem crescido assistindo ao filme de Zepruder da cabeça de Kennedy sendo esviscerada em frente às câmeras. O conceito de Celebritarianism é a observação de Manson de uma cultura que coloca Serial Killers sobre o mesmo ‘status’ de estrelas, onde o próprio nome “Marilyn Manson” se deriva. Celebritarianism (se for interpretada ao pé da letra, devorando e consumindo o conceito de celebridade) está onde as pessoas só se dão conta das outras quando elas estão mortas; e quando se morre em frente de uma câmera é uma garantia de uma celebridade póstuma, como o público e televisionado assassinato de JFK têm representado isso. Após sua morte ele se transformou em muitas das partes um segundo Cristo para os olho da América.


Embora a imagens que Manson utiliza graficamente no vídeo sejam obscuras, elas não são uma maneira de glorificar tal violência, na verdade muito pelo contrário. Marilyn Manson citou em várias ocasiões que um artista não cria o mundo, mas sim reflete sobre ele. Esse é um tema, como anteriormente dito, citado em todo corpo do trabalho de Marilyn Manson, porém mais aparentemente após ter sido acusado como inspiração para o massacre em Columbine, tema que subseqüentemente foi validado pela mesma sociedade e mídia que Manson vem lutado contra. Esse ponto foi provado quando os dois assassinos, apenas dias antes eram meros ninguéns, foram capa da revista “Time” por um assassinato, assim como Charles Manson foi capa da revista “Life” no final dos anos 60 em circunstâncias similares, assim como a canção “The Nobodies” soa em Holy Wood. No álbum anterior, Mechanical Animals, a canção ‘Posthuman’ resume metaforicamente uma sociedade onde a violência é a religião e os santos são estrelas mortas pela condição de serem beatificado por sua pública ou causa de morte.


Imagem do vídeo “Coma White” retratando a crucificação e martirização de Manson no papel de JFK; imagens usadas para ilustrar a forma em que Kennedy se tornou um “Segundo Cristo” aos olhos da America quando foi televisionado seu assassinato, tornando-o mártir para a consciência popular.


Outro tema que é recorrentemente desempenhado pelo Manson de origem oculta é a da natureza cíclica do tempo e de ação. Visto primeiramente em 1996 em Antichrist Supertar, onde cada uma das três seções do álbum foram intituladas de “ciclos” e com a última faixa 99 fluindo de volta para a faixa de número um criando um laço. Como Holy Wood é a terceira dimensão da história traçada sob Triptych do Antichrist Superstar, Mechanical Animals e supramencionado, o uso de ciclos continuaram e particularmente através da utilização de temas alquímico. Mais notável é o tema de renascimento e transformação que não está apenas presente em Holy Wood, mas é uma das mais consistentes ligações ao longo de toda a obra de Marilyn Manson.


A natureza cíclica do Holy Wood é representada tanto pelo paralelismo de ‘Godategod’ e ‘Count To Six & Die (The Vaccuum of Infinite Space Encompassing)’, a primeira e a última música, respectivamente, mas também através do uso de recursos visuais nesta ocorrência. O recurso oculto de Holy Wood quando foi lançado era que tratava de um disco que quando inserido no computador ele agiria com uma ligação para um vídeo que mais recentemente também foi incluído com um bônus na recém-lançada coleção de vídeo em DVD – Lest We Forget. Como discutido acima as razões pelas quais Manson retratou a morte de Kennedy. O bônus de Holy Wood é um vídeo em preto e branco de Manson interpretando a autópsia de Kennedy.

A diferença intencional da operação entre a original filmagem de Kennedy e a interpretação de Manson é que, ao invés da remoção do cérebro de Manson, no final do filme, quando seu crânio é aberto, os técnicos removem da cavidade um feto anexado a um cordão umbilical.

GODATEGOD
Embora uma imagem escrupulosa e perturbadora, ela possui muita importância e muitos paralelismo em toda Holy Wood e nos trabalhos de Manson. Um dos aspectos que, antes do lançamento do álbum, foi a que dois temas centrais em torno do álbum seriam a idéia de evolução e revolução (em si também é uma referência para John Lennon que, como Kennedy, é outro público mártir) com um vídeo bônus sendo mais uma reiteração deles. Marilyn Manson, em Holy Wood pegou a idéia de nascer novamente (Born Again) e aplicou isso para outra dimensão metafórica, que especificamente na alquimia, é a idéia que uma transformação se concretiza ao longo de uma das realizações do trabalho. Isso, mas uma vez, foi colocado em Antichrist Superstar com a utilização de um cronograma cíclico e volta a ocorrer em Holy Wood com a ilustração metafórica que a morte é um passo necessário para tal renascimento, com a utilização de uma ilustração conjuntural para descrever a regeneração da vida. O título da música ‘Godategod’ reflete, sobretudo a particularidade disso, tal como a ilustração acima, o conceito de auto “Ouroubourous” a de devora serpente para representar o infinito processo que não existe vida sem a morte e vice-versa.
“Quando Um Mundo Acaba Algo Novo Começa
Mas Sem Um Grito…”
The Fall of Adam

Os Quatro Mundos da Cabala como mostrado dentro do encarte de Holy Wood, o esquema original do ocultismo histórico da antiguidade.

Contracapa interior de Holy Wood representando um esqueleto fetal dentro de sua mãe. Uma ilustração da vida mórbida emergindo da morte.
“… alguns de nós somos realmente nascidos para morrer.”
Valantine’s Day

Capa de Holy Wood, mostrando o martirizado Marilyn Manson silenciado por intermédio da ausência do osso maxilar e um detalhe para o lençol utilizado na autópsia de Kennedy que segue através da “artwork” do CD.

“O Tolo está prestes a caminha para fora do precipício, e está é uma boa carta. Ela representa embarcar em uma viagem, ou tomar um grande passo para frente. Isso poderia representar a campanha da gravação sendo finalizada ou sair em turnê agora.”
John 5 com a vestimenta do Serviço Secreto representando o desprotegido Kennedy com Jackie-O de vestido rosa usado no dia que ele foi assassinado. Observe também o poste da campanha de Kennedy pendurada no Rifle de John 5.

No próximo dia o funeral da Sra. White será realizado em uma imagem renovada ainda equipada com som essencial e efeitos de luz exigidos para tal tragédia inspiradora para mídia dramática. Esse lugar é chamado de Holy Wood Cemitério Memorial e todos estão comparecendo. O presidente veste sua melhor máscara de tristeza — Vencedor do Oscar, de fato. Ele ainda acrescenta uma gota de glicerina em seus olhos antes de seu louvor. Os melhores artistas disponíveis ocultam seu combustível perfeitamente, mas algumas horas no sol e isso se tornará como o gaélico diz “Kennedy”, que quer dizer, feio ou cabeça ferida.
Holy Wood, Capítulo 10
O fechamento desse texto é uma referencia para aquilo que será discutido mais adiante, King Kill 33º, e em todo o texto de uns dos capítulos de Holy Wood, que foi publicado como outra referencia para Kennedy como o Rei de Camelot que é prevalente na América como Kennedy, mas particularmente discutido no seio do manuscrito como elementos oculto em torno do assassinato de Kennedy.
Dentro do álbum de Holy Wood, a música “A Place in the Dirt” detém ainda referência a King Kill 33º e Kennedy como a repetição do refrão “Ponha-me na carreata, ponha-me no desfile da morte” e com “Agora nos sustentamos a ‘cabeça feia’” a alegação do manuscrito de Kennedy como sendo gaélico para o termo “feio ou cabeça ferida”.

Detalhes da capa do single Disposable Teens como o rosto da autópsia de Kennedy.

Detalhes da capa do single The Fight Song como o diagrama de Boswell do crânio fraturado de JFK.


Rosto/Ficha descritiva e diagrama do crânio de JFK assinalando os 10 x 17 cm faltando no crânio do presidente, estabelecida por J. Thornton Boswell, MD durante autópsia.

Detalhes do single The Fight Song mostrando o frame 313 do filme de Zepruder, mostrando a cabeça de Kennedy sendo acertada em um tela de monitor no ombro de Manson.


Dois frames 313 do filme de Zepruder que aparece na vinheta do Celebritarian.com. Frame 313 do filme é o frame em que a cabeça de Kennedy é acertada e explode; coincidindo com a música “President Dead” ter 3 minutos e 13 segundos.


Ilustração da “Bala Mágica” teoria detalhado na investigação da Comissão de Warren sobre o assassinato de Kennedy, em que uma única bala disparada causou duas feridas em Kennedy e depois baleou o governador do Texa Nellie Connally três vezes, passado pelo osso e sendo removido de sua coxa esquerda em perfeito estado. Uma vez que essas feridas e uma série de diversas mudanças da trajetória de uma única bala são teoricamente impossível, a teoria da “Bala Mágica” permanece como a principal prova material que houve uma conspiração no assassinato de JFK, com mais que um atirador de mais de um único lugar com mais de três tiros que foram documentado como sendo necessário a ser disparada para coincidir com as evidencias e depoimentos de testemunhas do assassinato.
King Kill 33º
Uma das mais esotéricas referencia em Holy Wood, King Kill 33º é uma das mais barulhentas referencia para o assassinato de Kennedy depois da música “President Dead”, que novamente representa o tema de Kennedy tornando-se o segundo Cristo diante dos olhos da América por sua morte ter sido televisionada e subseqüentemente o retratado como mártir. O título é uma referencia ao manuscrito King Kill 33º escrito por James Shelby Downard e Michael A. Hoffman. A maioria dos fãs de Marilyn Manson em algum momento ou outro deve ter acessado uma página de internet chamada King-Kill 33: Simbolismo Maçônico no assassinado de John F. Kennedy, que é um trecho do prefácio do manuscrito de 35 páginas que é bastante interessante, sendo a essência das músicas e imagens invocadas em torno do álbum.
O conceito tratado dentro de King Kill 33º é referencia para o rito esotérico do O Assassinato do Rei, muitas vezes associado com alquimia e particularmente a forma da promulgação desse rito foi o motivo por trás do assassinato de JFK. O número 33 é o mais alto grau do rito escocês de alvenaria, é também o grau de latitude em que JFK foi assassinado no Dealey Plaza, a latitude da detonação da primeira bomba atômica em Trinity, e o grau de latitude o qual o Templo de Salomão em Israel foi construído, como profetizado no Livro do Apocalipse, a segunda vinda de Cristo.
Tal como dito pelo livro Sociedade Secreta e Guerra Psicológica, fábulas alquímicas tem pelo menos três metas a cumprir antes da decadência total para a matéria ter total efeito. São elas:
- A Criação e Destruição da Matéria Primordial
- O Assassinato do Rei
- A Propositura da Matéria Prima para Terra Prima.
A Criação e Destruição da Matéria Primordial foi realizada em White Head(“Ancient of Days”), em White Sands, Novo México, no terreno do Trinity. O Trinity, propriamente dito, está localizado na estrada antiga ao oeste do México antigo, assim como, a Jornada Del Muerto (A Jornada da Morte).

No início deste século, um Maçom chamado Peter Kern foi ordenado a construir um altamente simbólico “Portão da Morte” em um ponto chave sobre a antiga trilha da Jornada del Muerto. Era conhecido como o Portão Com Mil Portas. Em frente desse Portão, Kern foi cerimonialmente assassinado (decapitação) por um carrasco encapuzado.
Existem 33 segmentos na coluna vertebral humana, que segundo o ocultismo é o veículo da inflamável ascensão da força da serpente Kundalini que reside no corpo humano. 33 é o mais elevado grau do Rito Escocês de Maçonaria. A Criação e Destruição da Matéria Primordial ocorreram exatamente sobre o terreno do Trinity, o ‘Local do Fogo’ com a explosão da primeira bomba atômica, sendo culminados milhares de anos de especulações alquimia e praticas.
O Ritual de Assassinato do Rei foi realizado em outro terreno do Trinity, localizado a dez milhas do sul em paralelo a 33º graus de latitude norte entre o Rio Trinity e a Passagem Tripla em Dealey Plaza, em Dallas, Texa. O Dealey Plaza foi o local do primeiro templo maçônico, em Dallas. Neste local, que tinha sido conhecido durante o século 19 da era do cowboy como ‘Bloody Elm Street’ o líder do mundo que ficou conhecido como ‘O Rei de Camelot’, presidente John Fitzgerald Kennedy, foi baleado até a morte. O terceiro e último objetivo, A Propositura da Matéria Prima para Prima Terra, foi também completada em 1969 quando Apollo trouxe de volta pedras da lua a ‘Matéria Prima’ para a terra, a ‘Terra Prima’.
Convém notar que estas facetas da Alquimia ditas aqui são citadas por Hoffman no manuscrito King Kill 33º, que são suas próprias interpretações e não serão discutidas aqui em respeito ao histórico da Alquimia, mas sim para reflexão do tema escrito.
Manson também tem utilizado “O Rei de Camelot” para referenciar Kennedy durante a composição de Holy Wood.
Mais tarde eu planejo adicionar mais sobre como isso tem a ver com “In The Shadow Of The Valey Of Death” e The Triptych, mas como se trata de um referência muito esotérica e complexa em Holy Wood, que é o propósito da referência do título da música.