Marilyn Manson: Como ele conseguiu suas “pedras de volta”

Uma vez, em uma época mais inocente, Marilyn Manson foi considerado uma ameaça real para a nossa juventude e modo de vida. Ele ainda é grande agora, aos 43 anos, nosso bicho papão cresceu bastante. Após 2003, as vendas de Manson encolheram consideravelmente. Os críticos começaram a se despedir, e ele se tornou mais famoso pelas séries de companheiras atrizes e companhias (Rose McGowan e Evan Rachel Wood, a então ex-noiva). Born Villain mostra Manson e o seu colaborador de longa data Twiggy Ramirez recarregados e determinados. Os vídeos são dignos de pesadelos novamente, e Manson estranhamente fez um cover fiel do clássico de 1972 de Carly Simon, You’re So Vain (com Johnny Depp) e já nos levou a discutir a sua música novamente. Aqui, Manson revela como ele evitou o abismo e teve sua fama de sombrio de volta.
Você está refletindo bastante sobre o passado nesta fase de sua vida? Parece como o tempo para começar, biologicamente.
Estive pensando sobre a transição que tive que passar para começar a fazer música. [Antes de começar a banda], fui até o Kinko com um desenho que fiz. Eu mesmo o imprimi e coloquei nos carros. Eu nem sequer tinha música criada. Mas essa confiança, ou arrogância, levou-me a acabar por ter de fazer música. Percebi que as pessoas estavam indo assistir ao show – acabei criando algum tipo de excitação. Meu pai como vendedor me ensinou que você pode vender qualquer coisa a alguém se você tiver a capacidade de acreditar.
Mas acho que após o The Golden Age of Grotesque e após lidar com Columbine – onde fui culpado por algo que não fiz – tive que lidar com o [início de] toda uma era o que provavelmente fez [os críticos] me marginalizarem. Insatisfeitos.
Uma espécie de período de deserto criativo?
A era da ‘celebridade’. Cresci acostumado a se tornar uma estrela do rock e lidar com isso e usufruindo disso. Lidando com isso. Odiando às vezes. Mas, então, a ‘celebridade’ veio. Agora, existem pessoas que são famosas apenas por estarem na TV, e essa mudança no mundo é difícil de entender para as pessoas que não nasceram na mesma época que nós.
Certo. Eu imagino ter que dividir o palco com pessoas que são famosas por razões que parecem ser bem mais fáceis deve ser difícil. E estranhamente solitário. Estou pensando no artigo na Page Six do ano passado, onde você literalmente teve que colocar seu próprio comportamento de astro do rock em um contexto para as pessoas.
Exato.
Eu tenho certeza. E quando eu a li, eu pensei, “Bem, é o sapo e o escorpião.” Tipo, “Eu lhe disse que era o escorpião. Isso é o que um escorpião faz.” Isso é o que um astro do rock faz, mas o respeito que parece estar desaparecendo, o astro do rock se tornou vítima da cultura da celebridade de alguma forma.
Você não é uma vítima se você possui o que você é. Quando você disse, “O sapo e o escorpião” – agora eu vou chupar o seu pau com a boca de alguém, porque é uma boa citação. É exatamente o que estava falando.
Parece que você andou pensando pesado desde a última vez que ouvi de você, e a nova música parece beneficiada com isso.
Eu tenho minhas pedras de volta. É muito simples. Olhei para trás e tive que admitir para mim mesmo e chegar ao termo – ninguém quer dizer que estão tendo um retorno. É clichê. “Não chame isso de retorno.” Mas percebi antes de fazer esse álbum, que não gostava de quem eu era. Todos, obviamente, sabem quem eu sou por alguma razão e esse é um fato que tenho que lidar. Mas eu não vou levar isso como algo que eu possa me gabar. Ao viver em Hollywood você pode ir a um bar e você é famoso, e alguém vai chupar seu pau no banheiro. Isso não é um desafio para mim.
Eu tive que provar para as pessoas que tenho o que é preciso para ser o que elas queriam de mim. Queria mostra-lhe a redenção. É por isso que gosto dos programas Californication e Eastbound & Down. Você ver um personagem que é totalmente fodido, mas você quer acreditar que ele irá dar a volta por cima. Comecei a me sentir tão mal interpretado na minha vida pessoas que comecei a sentir como se tivesse que entender minha arte. Nos últimos dois álbuns que fiz (Eat Me, Drink Me e The High End of Low), eu estava tentando fazer as pessoas sentirem o que estava sentido, o que não era uma boa ideia, especialmente porque eu estava me sentindo uma merda. Marca número um: não faça isso. Não faça álbum que façam as pessoas se sentirem mal.
Você faria de qualquer forma, porque é assim que você se expressa, mas por prazer, você gosta de provocar as pessoas.
Esse era o problema. Eu tinha esquecido como curto fazer isso. [Quando estava fazendo esse álbum] morei sozinho – salvo o meu gato. Coloquei tudo que tenho em um depósito, menos meus filmes. Deixei meu inconsciente e subconsciente executar o show, e sabia que se eu quisesse ser algo, teria que colocar limitações sobre mim mesmo. Se você me der um pedaço de papel e um lápis, você só tem muitas opções: você pode apunhalar alguém com ele. Você pode escrever uma carta de amor. Você pode desenhar algo. Você pode limpar a bunda com ele. Você pode fazer recortes de papel. Há somente tantas opções, mas essas limitações realmente cria força e dela vem a criatividade – que é o que eu tinha no início. Nada na minha frente, sem dinheiro. Eu tinha o lápis e o papel, como quando tive que trapacear o cara da Kinko para imprimir os panfletos de graça.
Como você chegou a gravação da cover You’re So Vain como Johnny Depp?
Por causa [de] onde ele se encontra em sua vida. Esse álbum não é sobre ninguém. Os anteriores poderiam ter sido entendidos como sendo sobre esta garota ou aquela garota – e é isso o que a arte nunca foi. Quando ouço minhas músicas favoritas, Bowie e os Beatles, eu não penso com quem diabos eles estavam quando as escreveram. Penso apenas em como elas me fazem sentir. E [Johnny e eu] ambos pensamos que seria hilariante cantar essa música, que seria apenas nos olhando um para o outro. Esse é o nosso relacionamento, engraçado.
É melodicamente igual ao som original de Carly Simon. Ela ouviu?
Sim. E ela gostou.