Este álbum não é de uma pessoa que não tem nada a perder. É de uma pessoa que perdeu algo.
Desde 25 de maio, os fãs de Marilyn Manson puderam descobrir o novo álbum do seu ídolo, dois anos após “Eat Me, Drink Me”. Desde então, a vida do reverendo teve algumas surpresas, principalmente no sentimental. O que explica sem dúvida o tom de melancolia do “The High End of Low”…
Como vai você?
“Ok… Estou sofrendo um pouco por causa do fuso horário.
Eu vivi um momento estranho em Paris: a mulher do quarto ao lado do meu veio bater à minha porta. Eu reuni um monte de jornalistas para falar sobre o meu álbum. Ok, as coisas estão indo bem.”
Em que estado de espírito você estava no momento que foi criando este álbum?
Esta é uma questão muito difícil. Acho que é melhor tentar compreendê-lo, ouvindo o álbum, deixando as músicas aparecerem uma após a outra, reconstruir por si próprio.
Você nunca irá parar?
Não, não realmente. Foi difícil porque eu não sabia o que poderia sair, o jeito de como as coisas começam na criação da primeira música. Eu estava em um ponto na minha vida pessoal, não, esta não é a palavra… da minha vida sentimental em que tudo foi deteriorando ao meu redor. Esta foi a primeira vez na minha vida que me encontrei sozinho, eu não sabia onde eu estava no meu grupo. Todas essas coisas aconteceram ao mesmo tempo, mas finalmente voltei.
O que foi mais difícil?
Eu não sei. Eu fiz este álbum entre novembro e janeiro. Foi concluído em 15 de Janeiro. Ouvi dizer que a pessoas decidiram atribuir os textos e as músicas deste álbum ao meu passado, que foi comparado com o relacionamento onde eu estava. Este não é o álbum de alguém que pode dizer que não tem nada a perder, alguém com quem está perigoso porque realmente não tem nada a perder. Não, é de uma pessoa que perdeu algo, como eu: dinheiro, amigos, amor, tudo de uma vez só, e agora decidiu viver como uma pessoa que não tem medo.
Como se traduz essa jornada pessoal no álbum?
A pessoa que eu sou na primeira faixa já não é exatamente a mesma. Na primeira faixa ainda estou no conceito de que Shakespeare disse que o mundo não pode entender-nos, dizendo que, de qualquer modo, estando compreendido ou não, vamos morrer juntos. Que tem um lado romântico, mas eu também percebi que não se deve confundir amor com dependência e romance com paixão. Após mistura de sentimentos e de mal-entendidos, me dei conta de que eu não tinha necessidade absoluta de pessoas. Esta é a conclusão final do álbum. Isto provavelmente não será para mim uma grande conclusão. De certa maneira, posso dizer que eu sobrevivi ao fato sozinho. Passei Natal e meu aniversário sozinho. Pode parecer insuportável.
The High End of Low é um álbum muito diferente se comparado com os anteriores. Há bastante baladas.
A faixa 14 (Into The Fire) é muito mais dramática. Eu acordei na manhã de 4 de janeiro, um dia antes do meu aniversário, e percebi que eu não poderia e não queria encontrar ninguém, nem mulheres. Eu não quero fazer um álbum sobre alguém que não faz parte da minha vida. Este não é o testemunho de alguém que quer dizer ‘Ok, eu errei, mas eu sobrevivi e hoje me sinto melhor’, mas sim o fato que você teve de entender que nós podemos cometer erros quando nós queremos ser amado e nós podemos facilmente abandonar nossas asas para ser como qualquer outra pessoa’.