Em Casa Sozinho
Cabeças de babuínos. Sacos de cocaína. Bonecas.
Cuecas sujas. E um gato chamado Lily.
Bem Vindos, senhoras e senhores a casa de Marilyn Manson
Para chegar à casa de Marilyn Manson você pega a esquerda na Avenida Sunset e segue ao norte na Avenida Highland. Você segue seu caminho acima de uma colina atrás do Hollywood Bowl e, então quando a estrada terminar, você dirige por algumas jardas até você chegar à última casa à direita.
O sentimento de não se saber para onde você está indo é agravado pela falta de estrelas, 1 da manhã céu acima – Manson é uma besta noturna e prefere que aqueles que vêm a conhecê-lo que visitem em horário noturno. Levanta quando os outros estão se preparando para ir para cama, um copo de absinto serve com sua xícara de chá.
Atrás e abaixo, distante da colina, as luzes de Los Angeles brilha e vislumbra. Abaixo, em algum lugar, o famoso logo de Hollywood. Na frente está um portal de ferro moldado; que Manson se situa.
No momento que você ler essa matéria, ele irá mover-se para frente de sua casa alugada. Seu proprietário estará, presumivelmente, tendo um ataque cardíaco agora, porque o que há dentro da casa não é para um coração desfalecido.
A porta da frente é aberta por um assistente que nos leva até a um grande corredor, com uma sala funda depois dele. No rádio, o novo álbum de Marilyn Manson, The High End of Low, tocado em saboroso volume.
“Você se importa se eu deixá-lo tocando?” vem uma voz da escuridão iluminado por velas. “Caso contrário, eu posso ouvir o resto das vozes em minha mente.”
É uma assustadora apresentação, e dá ao sombrio interior da casa, uma apropriada aparência sombria. Mas também dá Manson um falso humor hoje, por que vestido uma calça de couro, camiseta e botas o homem conhecido por alguns como o Deus da Foda é particularmente delicado, amigável e em forma humana hoje.
Às vezes singelo, às vezes brincalhão, às vezes vulnerável, essa noite ele está, de algum modo, longe do personagem que ele costuma ser descrito: O Anti Cristo, inspiração para os assassinos do ensino médio ou para a paráfrase para o filme “Life of Brian”, cujo protagonista compartilha de um nome cristão, um garoto muito perverso.
Ele está em um baixo sofá de couro, coberto com um tapete de peles. Pendurado na parede está uma perna protética. Abaixo, na parede oposta, estão duas cabeças de babuínos, servindo como portal para a sala de estar.
Há uma cozinha a direita, à esquerda, acima da uma pequena escada, fica o quarto de Manson. A casa é espaçosa, mas não tão grande quanto eu esperava.
De fato, o que realmente chama a atenção nesse lugar é a bagunça. Existem coisas em todos os lugares. Pilhas de livros, CDs, equipamento de rádio, fios e luzes de filme estão espalhados em volta, desordem que, com pouca luz, é difícil de identificar.
“É pior que você esperava?” ele pergunta. “Ou apenas confuso? Eu estou ciente do que as pessoas podem pensar desse lugar”.
Em um canto estão duas antigas cadeiras de rodas, suas diversas tiras, alavancas e objetos mais visíveis quando iluminado por velas fazendo um esforço para iluminar o local.
Lily, a gata de Manson, salta galantemente ao redor, fazendo pouco barulho e querendo a atenção de todos, e a do Manson.
“Ela é do tipo irritada”, ele encolhe os ombros. “Ela está furiosa por que eu ignorei-a esses últimos dias a procura de outra mulher.”
Ela é a única gata que sobrou após sua ex-mulher Dita Von Teese exigir em devolução o que foi compartilhado na casa do ex-casal. Entretanto, sua ex-atual-ex namorada, a atriz de 21 anos Evan Rachel Wood, pegou de volta outro gato, Charlie, quando o par se separou em novembro. “Garotas gostam de raptar meus gatos. Isso é o que elas fazem”, diz Manson, mais excitadamente do que poderia se esperar.
É evidente que outras garotas podem ser encontradas na cama de Manson. Próximo a uma cama, que em uma inspeção mais próxima, na realidade é apenas um colchão de molas no chão. Sobre ela, um par de cuecas brancas sujas.
Você apostaria que há mais coisas aqui, mas é impossível dizer por que esse é o epicentro da bagunça de Manson, o chão o ponto mais baixo da anarquia dos livros, cordas elétricas, gravações, fotos, roupas, sacolas de plástico, lâmpadas, fãs e “quem-sabe-o-que-mais” transforma o tapete em caos.
“É um chiqueiro, Manson”, você diz e ele ri.
“Eu sei, eu sei”, ele responde. “Parece que um serial killer vive aqui.”
Ele está certo, pendurado na entrada está um grande lençol de plástico; do tipo que você poderia enterrar um cadáver.
“É visivelmente algo que você enrolaria corpos dentro,” ele concorda. “Quando eu trago pessoal de volta aqui que eu não conheço eu tenho que dizer, “Honestamente, eu não vou enterrar você no quintal de trás. “Eu juro que não irei matar você.”
Essa não é a única coisa que pode preocupar uma potencial conquista de Manson. Anotações através das paredes brancas – e aqui está à origem para a loucura do proprietário da casa – são as mais profundas, obscuras letras do cantor.
São letras, idéias, abuso, pinturas, rabiscos e uma idéia do seu pobre assistente em por seu livro na parede. Há um osso maxilar de humano, uma boneca e uma fenda com a palavra “vagância” escrita depois, em um momento de raiva, Manson bateu uma moldura que continha um valioso crânio de Hawkmoth na parede.
“A primeira coisa que eu li foi ‘Agora realmente eu amo você’,” ele explica, presumidamente em referência a Wood. “Esse foi um dia que eu pensei que as coisas estavam boas. Então, repentinamente, as coisas ficaram ruins. Então eu tentei corrigir isso para ‘Agora eu realmente tenho que matar você’.”
Abaixo de um pedaço de papel A3, há 14 sacos vazios de cocaína lacrados.
“Essa é minha peça de arte moderna, intitulada Week One,” ele sussurra. “Foi para a primeira semana fazendo o álbum. Ou nós arrumamos cocaína ruins ou nós cheiramos demais.”
Ele aponta para a letra da nova faixa Into The Fire, escrita no topo da parede.
“Eu não sei como eu cheguei lá,” ele diz. “Eu realmente não me lembro.”
Não se lembrar parece ser uma coisa boa. Por que, quando Manson redecorou seu quarto tão curiosamente, ele não estava em seu melhor momento. Foi um processo que começou novembro passado quando ele se separou de Wood.
Ela foi a pessoa que Von Tesse culpou – entre outras coisas – pelo fim de seus um ano de casamento em 2006. Ele esteve com Wood desde então até o final do ano passado quando ela o deixou. Há rumores que eles estão juntos novamente, embora Manson não confirme. Ele não é um cara detalhista. De qualquer modo, a separação induziu o cantor não voltar a sua casa por três meses.
“Eu passei Ação de Graças, Natal, Ano Novo e meu aniversário sozinho, exceto pela [sua gata] Lily,” ele diz. “Todo mundo estava me ligando por que era feriado. Mas eu nem mesmo falei com meus pais.”
“Isso se transformou em um período real que eu senti que deveria passar – como algo na bíblia quando eles saem do deserto e rápido. Então eu comecei a escrever o que eu estava passando no momento. Foi principalmente sobre meu relacionamento. Eu não sei se isso ajudou!” ele ri. “Não é como qualquer uma dessas coisas sejam boas…”
Houve momentos que ele não parou e olhou ao seu redor, momento de claridade onde ele estaria curioso em saber que porra estava acontecendo. Quando, depois de seu terceiro mês de exclusão se encorajou e convidou seus amigos novamente e garotas – para, o que parece, Manson estava excitado depois de seu isolamento, dado pelo tanto que ele fala sobre mulher aqui – ele descobriu uma mistura de reações.
“Meu amigos de banda estavam um pouco nervosos,” ele diz. “As pessoas não estavam muito confortáveis vindo a minha casa – excerto garotas que eu não conhecia. Era divertido para mim. Se você trazer um garota aqui e dizer, ‘Hey você quer se sentar e assistir um filme?’. Eu acho que seria muito corajoso se elas fizessem isso. Pelo menos [esse quartos faz] eu parecer ter problemas.
“Talvez eu seja um imã danificado. Eu atraio garotas perigosas, por que eu sou uma pessoa perigosa. Essas são minhas pessoas. Eu devo ter um charme não desigual ao Hannival Lecter.
“É interessante que é muito difícil desencorajar pessoas a estarem comigo, a maneira que eu elogio uma garota agora é dizendo, ‘Eu quero jogar facas em sua vagina’. Elas dizem ‘Oh, você é fofo, você é tão charmoso’, ele diz, ‘Não, eu gostaria de jogar você no fogo e assoprar suas cinzas’. ‘Oh, Manson!” elas respondem.
“Talvez seja porque eu deixei minhas sobrancelhas crescerem novamente. Acho que elas me deixam mais fofo, agradável e amável. Isso significa que posso sair dizendo às coisas que mais digo!”
A exclusão de Manson foi difícil para ele por que ele não gosta muito de fica a sós. Ele diz que não é uma pessoa que precisa de pessoas ao redor, mas ele também admite que ele “não é capaz de lidar com a idéia de ficar sozinho”. Em parte ele atribui isso a sua infância e diz que, o que ele chama de sua “edição abandono”.
O problema, como ele reconhece, que é mais fácil se abrir com estranhos do que com aqueles que estão próximo a ele. Hance tem um paradoxo que, quanto mais perto alguém se torna, mais distantes elas ficam, forçando-os a se manterem distantes.
“Eu sei que há ironia ai,” ele diz “Eu compartilhei meus mais íntimos pensamentos com estranho no palco e no álbum. Mas eu acho complemente difícil compartilhar com pessoal que eu conheço. Eu sou uma pessoa difícil.”
Ele se colocou em relacionamentos cordialmente, dizendo que ele nunca foi capaz de ser “incoerente”. Ele está ciente, entretanto que, “é um grande tarefa ser eu, então eu entendo que é difícil para alguém está comigo”.
E o que ele exige é muita confirmação. Von Teese disse que parte da razão dele passar muito tempo com Wood direcionou o fim do casamento e que a atriz lhe oferecia mais suporte. Isso não é algo que ele em grande parte nega.
“O maior problema em minha vida é que todo mundo supõem que eu sou acostumado a ouvir ‘Você é ótimo’, muitas vezes as pessoas seguem o seu caminho e não dizem isso,” ele diz. “Isso pode ser destruidor para sua alto-estima. Quando a pessoa que você vive junto ou está apaixonado tem medo de dizer a você o que elas pensam que todo mundo diz, esse é o grande problema.”
Ele tem lutado para tornar-se normal.
“Eu tento não exigir. Tento mostrar uma enorme quantidade de carinho e amor. Eu não espero nada em troca.” Ele diz. “Amizade poderia ser sobre sacrifício. Quando você se oferece, você deveria fazer isso sem esperar nada em troca.”
“Eu nem sempre tenho feito meu melhor e eu tentei aprender com meus erros. O que eu mais tento fazer é satisfazer minhas promessas e obrigações agora. Eu quero pessoas para estarem aptas a acreditar em mim quando prometo algo porque estive muito inapto a ter isso para o final.”
É apenas uma parte do processo de reconstrução no ano passado. É sobre o que o The High End of Low é.
O sétimo álbum de estúdio do Marilyn Manson é mais um diário do que um álbum. Cada faixa do álbum está na ordem em que foi escrita e gravada. Pegando no começo ao final de seu relacionamento com Wood, seu período subsequente sozinho após reaparecer do outro lado.
Suas contribuições vocais, quando não escritas nas paredes de seu quarto, foram algumas vezes improvisadas. Uma ou duas foram gravadas em apenas um take. A versão original de I Want to Kill You Like They Do in the Movies, foi gravada no dia em que ele rompeu com Wood. Tinha originalmente 25 minutos. O álbum, ele diz, mostra seu exato humor do começo ao fim do processo de gravação. “Não posso relatar a pessoa que eu era na primeira faixa, Devour. Eu não sabia o que queria ser. Estava um pouco perdido.” Ele diz, “Pelo tempo que peguei a 15 (a última faixa do álbum) eu estive na experiência de viver sozinho. Eu não me matei, e, de fato, voltei com a habilidade de não me importar mais.”
“Fiz álbuns no passado sobre transformação, mas esse foi muito mais do que uma mudança dramática para mim, que eu tive que falar para as pessoas.”
A explicação dessa mudança vem embrulhada nas metáforas do Manson. Ele fala sobre se sentir como Lúcifer quando foi banido do Céu, caindo. “Quando você desiste das asas que vem para te definir na ordem de fixar e tornar-se amado por alguém, então ultimamente você para de ser quem você é e perde tudo. Ultimamente, é onde eu estava indo na minha vida”, ele diz.
Ele quer dizer que teve um duro tempo diante do fim do affair com Wood. Ele estava preocupado em estar envolvido em um relacionamento normal e amável, quis dizer que ele lutou para se identificar com o papel de estranho que ele é normalmente associado. Então algo teve que ser feito.
“Sim” ele admite
“Você não deixa ser fácil com você, deixa?”
“Não!” ele ri. “Não, não deixo mais. É sempre complicado.”
Algo que fez o The High End of Low um álbum que Manson gostou de gravar, foi a volta de Twiggy Ramirez. O baixista/guitarrista tem sido a lâmina do Manson e, quando juntos, parecem produzir seus melhores trabalhos.
“Marilyn Manson (a banda) para mim, sempre foi o ânimo entre Twiggy e eu.” Ele admite “É a alma disso. Nosso vínculo é muito fraternal. O único lugar que ambos fixam juntos.”
Entretanto um argumento que Manson assumiu, seria clareado um dia voltando em 2002, inflamou Ramirez, que saiu por sete anos. Seu substituto, Tim Skold, não foi na opinião do cantor, um bom colaborador musical e amigo.
“Desculpe, Tim Skold, de qualquer maneira” ele diz, “Ele pegou o trabalho do Twiggy, então está justificado que Twiggy tem carta branca para voltar.”
A razão para a reunião foi quando Manson estava assistindo ao show da volta do Led Zeppelin, na Arena 02, em Londres, em 2007.
“Eu vi Plant e Page se olhando durante a Stairway to Heaven e, na minha cabeça, pareceu que eles disseram ‘Nossa, nós escrevemos isso!’ Eu senti falta aquilo.” Diz Manson. “Eu não tinha o Twiggy para virar e dizer ‘Nossa, nós escrevemos The Beautiful People!’” Isso me incitou a ligar para ele e dizer ‘Volte para a banda.’ Foi quase como se tivéssemos pegado aquele ponto em um relacionamento onde alguém tem a dúvida e você sai e fode outra pessoa. Você descobre que não é exatamente tão bom. Felizmente estávamos aptos a voltar.”
Manson diz sobre Ramirez, nome verdadeiro Jeordie White, esteve em uma “terrível depressão” enquanto esteve fora da banda tocando com bandas tipo A Perfect Circle e Nine Inch Nails. Ele diz que ele “desejou que pudesse estar lá por ele como um amigo.” A reunião deles foi emocional e agora, depois disso, eles têm pegado com se ainda fossem adolescentes.
“Ele está em um momento muito prazeroso e estou aproveitando esse vicário através de suas provocações” Manson sorri. “Provavelmente estamos mais ridículos e irresponsáveis do que na última vez em que estivemos juntos, não posso te dizer o quão ridículo é porque, embora essa é uma história que você queira contar, te fode no futuro por não te autorizar e fugir com isso de novo – mesmo da polícia ou das garotas que você está tentando convencer que você não é indulgente.
Esta noite, parece que Manson estaria preparado para falar nas primeiras horas, de fato, vem a pensar isso, ele estava.
Sentado preguiçosamente em sua cama e o relógio marcando por volta de 4 da manhã, seu humor é comunicativo. A conversa segue em vários assuntos. De Salvador Dali, Andy Warhol e Barack Obama (três cujos ele gosta) e realmente, ele é um homem muito mais normal e interessante do que lhe é dado crédito.
O que emergiu das primeiras horas passadas em sua companhia é que ele não é, como dito, complicado, chocante ou indiferente. De fato, o choque é que ele é bem engraçado. Ele brinca com seu próprio gasto, ele goza sobre se espreguiçar em seu quarto e, quando pergunta a seu assistente, “Como estamos indo com a ideia de levar as paredes quando eu me mudar?”, ele ri quando recebe a resposta “Devagar.”
Ele também não é tão sem emoção como as pessoas acham.
“Quando conheço pessoas, especialmente garotas, gosto de me comparar a um carro vintage,” ele diz “Parece bem legal de dirigir, é muito interessante, mas vai quebrar muito. Preciso de muita manutenção.”
E então, quando a entrevista se encaminha para o fim, ele te acompanha até a porta da frente dizendo “Sinto que poderia te dar um abraço depois disso tudo,” então ele abraça dando um enorme sorriso.
Um pouco antes de fechar a porta, ele coloca a cabeça para fora para um último juízo, dizendo para tomar cuidado com o banheiro que, por alguma razão, ele deixou no caminho em frente a sua casa.
Ele sorri mais uma vez. E então ele pisca, sozinho de novo, com seu absinto, suas velas e seus pensamentos íntimos escritos nas paredes de seu quarto.





















